domingo, 13 de março de 2022

Dia 49 - Porto Galinhas, Maracaípe e um picth de vendas!

Dia 49 -  Porto Galinhas e Maracaípe 

Acordei cedinho, preparei uma bela granola com iogurte e manga: Que maravilha! A maravilha só não foi maior porque enquanto comia no belo jardim, cheio de vegetação luxuriante, em frente do hostel, eu próprio também era comido por mosquitos. Dar e receber, certo?

Para continuar o trabalho foi complicado, tentei o terraço, tentei a sala no último piso, tentei a cozinha e eram todos locais minimamente decentes mas cheio de mosquitos. O local com menos insectos era o dormitório, mas esse infelizmente só tinha ar condicionado durante a noite, pelo que era quente de mais!


Trabalho terminado era hora de sair para almoçar e ir explorar a praia! Comi um belo e barato peito de frango à parmigiana (com molho de tomate e queijo parmesão, um frango que sabe a pizza) e segui praia a fora para sul em direcção a Maracaípe, um local que já me tinha sido recomendado pelo meu professor de surf (em Portugal) como uma boa zona para surfar.

Cerca de 5km praia fora passei por algumas escolas de surf, a maioria fechada. O mar não estava incrível, não me senti muito confiante e achei os preços muito altos, de maneira a que passei e segui a caminhada, onde pelo caminho encontrei muitos ninhos de tartaruga. 


Em Porto Galinhas a praia é muito cheia, mas a caminho de Maracaípe, a praia era só minha! De notar que o mar aqui é muito calmo devido ao recife que se encontra a algumas centenas de metros da costa durante centenas de quilometros de extensão, e na maré vazia estes recifes saem fora de agua, formando bonitas e transparentes piscinas naturais.

Entretanto voltei para o hostel, banho,, despachar um pouco de trabalho, etc. Depois saí para jantar com um dos meus colegas de quarto, oriundo de São Paulo, mas que estaria de férias 10 dias no Nordeste.

Saímos, jantámos, e na busca por um barzinho para ir beber um copo, fomos abordados por um comercial a falar de uma inauguração, cerveja grátis, gente bonita bla bla bla. O brasileiro e a sua personalidade relaxada torna-o num mestre de vendas! Engano ou mal entendido percebemos que íamos à inauguração de um bar, mas na verdade era um show-case de um empreendimento turístico que estava a ser construído e estavam a vender unidades de time-share. Mal sabiam eles que nós eramos pobres!

O mais interessante da situação para mim foi a organização e a técnica de vendas. Parecia que estava de volta à universidade numa aula de Negociação e Técnicas de venda! Se o fosse eles teriam uma óptima nota! Deixo o resumo:

Fomos abordados por um comercial na rua que nos levou a um edifício muito bonito e moderno, com figuras enormes do Avatar e do Shrek, depois entrámos no edifício, que eu diria ser um hotel, fizemos o check-in, onde nos pediram alguns dados e uma moça toda jeitosa e extrovertida vem nos receber. Apanhamos o elevador para o piso superior onde há inúmeras mesas e pessoas a conversar, bebidas nas mesas. Ambiente relaxado, mas estranho para ser um bar. Sentámonos e aí é que percebi o que se passava! A comercial começou a mostrar-nos o projecto, onde seria, todos os pormenores, as diferentes unidades, as vantagens económicas e de lazer, etc. Estavam-nos a vender um sonho! Daí passamos os 3 para uma pequena sala de sinema onde um alegado cantor famoso dá a cara pelo projecto, onde temos uma perspectiva visual muito melhor e interessante. De seguida vamos ver uma unidade de alojamento, totalmente mobilada. Muito interessante. A caminho da sala estavamos antes, a comercial começou a mencionar como já havia poucas unidades, muita gente famosa já comprou, etc. Um pouco mais de conversa, tentar ganhar afinidades connosco e tal, até que vem a supervisora dela e depois de alguns minutos de conversa em busca de mais afinidade, já com cerveja e snacks na mesa, os valores de venda surgem, e a cada recusa que damos, o preço baixa mais, e mais e mais... não podemos pensar, temos que agir naquele momento para ter acesso às melhores condições! Muita pressão, que obviamente não deu em nada. 

Experiencia algo aborrecida, devido ao tempo perdido, mas muito interessante em retroespectiva!

Dia 46, 47 e 48 - Recife, Olinda e viagem para Porto Galinhas

Dia 46 - Recife

Noite curta e mal dormida, seguida de uma manhã que não foi mais longa devido ao horário do pequeno-almoço (que ninguém sabe o que é, aqui é o café da manhã!). De notar que os cafés já saem da máquina com açúcar, o que foi algo estranho e difícil de me habituar por estas bandas.

Este dia foi passado dentro de portas, visto que entre o almoço e o trabalho, não saí do hotel. Apenas saindo por volta das cinco da tarde para uma caminhada pela praia ali na zona de Pina/Boa Viagem, antes de se fazer noite, visto que pouco depois das seis da tarde, no Nordeste Brasileiro, a noite cai.




Uma pequena curiosidade. Parece que há uns anos atrás decidiram fazer um grande matadouro em Recife muito perto do mar, sendo que o seu esgoto ali deságua. Esgoto de matadouro é sinónimo de de sangue, o que por sinal atrai tubarões, o que torna as praias do centro de Recife não recomendadas para banhos. De notar que mesmo ao fim do dia, o calor e a humidade se tornam algo insuportáveis e quase difíceis de lidar.

Voltei ao hotel, tomei uma banhoca e fui jantar com um colega meu de trabalho que vive em Recife. Demos uma volta de carro pela cidade e fomos comer um bom bife brasileiro... a uma churrasqueira americana! Não perguntem!

No processo tratei de arrancar um cartão SIM brasileiro para o telemóvel, visto que o peruano deixou de funcionar. Já sabia que seria difícil encontrar quem me vendesse um cartão, mesmo pre-pago, sem CPF (uma espécie de número de contribuinte). O meu colega António tratou de me ajudar no processo usando os seus dados e tudo correu bem.

De notar que o CPF é brutalmente importante por estes lados, o que torna a vida de estrangeiros extremamente difícil na compra de várias coisas, como cartões SIM, bilhetes de autocarro, bilhetes de avião, etc.

Hora de recuperar o sono ainda em falta, amanhá é outro dia!



Dia 47 - Olinda e Recife Velho

Acordei cedo, mais revigorado depois de uma boa noite de sono, tomei o pequeno-almoço e peguei cedo ao trabalho, para poder ir para a má vida assim que possível!

Ao sair do hotel, pouco depois da uma da tarde, o calor era abrasador e avassalador, bem pior do que no dia anterior! Apanhei então um taxi para o centro histórico de Olinda, onde fui abordado por um simpático guia a oferecer me um tour pela cidade. Peguntei o preço e ele disse me que era gratuito, com uma gratificação opcional no fim. Ainda insisti em busca de valores, mas ele disse que se eu não gostasse não tinha que pagar. Aceitei, mas disse que primeiro tinha que almoçar! Estava faminto e desejoso de provar uma iguaria local: peixe fresco!


O guia recomendou me um restaurante, que alegadamente servia muito bem (e caso sobrasse, para pedir para levar os restos para as crianças órfãs a cargo da igreja),  e mandou vir o prato mais popular da terra: Peixe ao molho de camarão. Chega me uma monumental travessa de peixe (enorme posta) cheia de pimentos em cima, arroz e pirão (molho de peixe engrossado com farinha de mandioca). Apesar dos pimentos, que pus para o lado, a refeição estava bastante boa! Quando a conta chegou é que percebi que a comida tinha sido para duas pessoas (por vezes é complicado encontrar um restaurante que tenha pratos individuais... muito estranho! O standard é para duas pessoas), e o preço bem caro: quase 30€ a refeição! E eu que pensava que o Brasil seria barato...


Seguimos então pela cidade dentro, muito bem preservada, património da humanidade e muito colorida! As cores das casas devem se ao facto de antigamente as mesmas não serem numeradas, portanto para uma carta ser entregue, seria para a seguinte morada: Casa Vermelha, Rua Nova. 


Outra curiosidade de Olinda é o facto de casa, igrejas e pavimentos terem sido feitos com o coral que ficava descoberto na maré vazia, coral esse que após extraído, anos mais tarde teve que ser substituído por pedras para travar o avanço das águas.


Visitei várias igrejas, mas sem nada que impressionasse. Interessante também o facto de algumas heranças Holandesas de quando ocuparam esta parte do Brasil. Mais interessante para mim foi o ambiente que aqui se vivia! O melhor exemplo que tenho é uma pessoa sair à rua a tocar triangulo/ferrinhos, de seguida duas pessoas seguem essa pessoa a dançar, alguém sai de uma casa com um tambor e segue a tocar na rua, e o crescimento desta festa de rua foi exponencial, passando de uma pessoa a tocar ferrinhos a uma mini banda e algumas dezenas de pessoas a dançar a sua volta pelas ruas da cidade! Incrível!

Mais tarde vim a saber que essa festa de rua continuou, e ficou bem grande, ao ponto de chamar à atenção do presidente da câmara, aumentando as restrições devido ao COVID desse Domingo em diante.

Gostei muito da cidade e a impressão era claramente positiva até à hora de abalar, quando me estava a preparar para dar ao guia 50 reais (cerca de 9€) ele ficou ofendido e agressivo a dizer que queria mais, que no mínimo lhe pagavam 200 reais pelo tour. Descontente mas ansioso para saír dali, dei-lhe 120 reais (cerca de 20€) e abalei de Uber em direcção ao centro de Recife.

Praça do Marco Zero - O lugar onde os Portugueses fundaram o Recife em 1537

Caminhei pouco mais de uma hora pelas ruas do centro do Recife antigo, nomeadamente a Praça do Marco Zero, Museu Cais do Sertão, Paço Alfândega e Paço do Frevo, com uma aguinha de coco pelo caminho. O centro pareceu me bonito, mas pouco simpático.

As primeiras impressões do Brasil não eram as melhores e o Peru já deixava saudade!

*Spoiler Alert* Com o tempo a impressão foi melhorando!

Voltei ao hotel para acabar o trabalho em falta, ainda cheio do almoço nem quis jantar, de modo que foi uma noite para fazer a mala e relaxar porque o dia seguinte é de viagem!



Dia 48 - Viagem para Porto Galinhas

Manhãs aborrecidas as minhas: Pequeno-almoço, trabalho, almoço, trabalho.

O próximo passo foi apanhar um Uber para o terminal de autocarro para seguir para Porto de Galinhas, viagem de duas horas que levou mais de três: um presságio do que estaria para vir nas minhas viagens terrestres pelo Brasil: demoradas, desconfortáveis e regra geral, caras!


Cheguei ao meu destino já era fim de tarde, como se vê na bonita foto a cima que tirei do autocarro em movimento, mostrando uma bela planície alagada repleta de não tão belos mosquitos. Escusado será dizer que em dois dias em Porto Galinhas fui mais picado por mosquitos do que em mês e meio no Peru, incluindo vários dias na selva amazónica!

Fiz check-in no hostel, e fui da ruma voltinha pela terra, já de noite. Gostei muito do ambiente de Porto Galinhas, um clássico destino de férias com infinitas opções de lojas de lembranças, traquitanas de praia e muita opção de comida e bebida! A minha fome e desejo por açaí, tornou-o o meu jantar!

Antes de regressar a base para invariavelmente acabar o meu trabalho, passei no supermercado para comprar comida para o meu pequeno-almoço dos próximos dias visto ter acesso a cozinha.

Trabalhinho, xixi, cama!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Dia 44 e 45 - Adios Peru, Olá Brasil

Dia 44 - Em trânsito: Arequipa - Lima

Hoje é o meu dia de folga, o dia que mais me empolga (como diz a música "Um dia não são dias não" do Nuno Prata), mas na verdade, deixar o Peru deixa também um sabor agridoce, mas como terminei o meu post anterior, a viagem continua e seguindo a minha filosofia de "ficar contente com o que temos, em vez de triste com o que não temos", ponho um sorriso na cara e bola para a frente, rumo ao país do futebol!

Tive direito a um incrível pequeno-almoço caseiro com um cappuccino com café premiado orgânico, leite de amêndoa caseiro e tostas com abacate e ovo mexido! Nada como uma bela refeição para animar o dia!

Aproveitei a manhã para tratar de alguns transportes como o voo de São Paulo para o Recife, marcar hotel, arranjar a mala e deixar muito lastro para trás, relaxar um pouco antes de seguir viagem. Comi uma bela sandes de carne (o Peru tem sandes incríveis, e muitas outras comidas! Come-se incrívelmente bem no Peru, já tinha mencionado?) antes de seguir para o avião, rumo a Lima.

Cheguei a Lima, e decidi fazer o teste do Covid à saída do aeroporto para ficar já despachado para o voo internacional do dia seguinte! Após passar com distinção, já a noite era escure, mas eu senti-me bravo! Então decidi caminhar 15 minutos Callao (se a memória vos falha, a mim também deve ter falhado porque foi este mesmo distrito onde odiei ficar, e onde os taxis se recusavam a trazer me)  a dentro em busca do meu hotel! Após meia hora a caminhar perdido no guetto, encontrei o meu destino.

O destino foi um duche e cama!

Apaguei!



Dia 45 - Em trânsito: Lima - São Paulo - Recife

Acordei relativamente cedo, desci para o pequeno-almoço onde acabei por ter uma agradável conversa em espanhol com um checo que também estava em viagem, e também iria voar no mesmo dia.

Regressei ao quarto de barriga cheia e mais duas sandochas na mala, onde aproveitei para trabalhar um pouco mais. Parece que só falo em trabalho, pelo que me sinto um workaholic! 

A aventura estava prestes a começar! Segui para o aeroporto de Lima a pé, e passar uma grande avenida a pé por volta do meio dia acabou por me lavar quase 20 minutos devido à quantidade de trafego! Juro que ponderei chamar um táxi para me apanhar e passar a rua...

No aeroporto o check in foi pacífico, era cedo e aproveitei para comer algo consistente antes de embarcar. O avião tinha um tamanho médio e uma disposição de lugares que nunca tinha visto: Janela, 2 lugares, corredor, 2 lugares, corredor, 2 lugares, janela. 
O voo foi pacífico e deu para ver um filme, ler um pouco e dormitar, o que fez com que 5 horas de voo passassem a correr! E isto foi apenas o início da corrida!

Lima vista do ar

Aterrei em São Paulo, Guarulhos antes de hora, de modo a que fiquei tranquilo com as minhas duas horas de escala para fazer a ligação...

PLOT TWIST!

Ficámos cerca de uma hora dentro do avião até começar o desembarque, protocolos covid implicavam o desembarque de filas 3 em 3 para evitar aglomerações dentro do avião para de seguida aglomerar, comprimir e empacotar o máximo de pessoas dentro de um autocarro que tardou a chegar ao terminal.

A pouco mais de uma hora para o meu voo de ligação ponho o pé no terminal 2 do maior e mais movimentado aeroporto brasileiro, que por sinal não conhecia, nem sabia bem para onde me dirigir! Nem me lembrei da imigração, que felizmente passei rapidamente e sem problemas!

Não sabia para onde tinha que ir, mas sabia que tinha que ir rápido! Então corri, corri muito e rápido!

Segui sinais, setas, mapas, com apenas um engano cheguei ao terminal 3, já não estava ninguém na fila para embarcar, mas ainda assim consegui não ser o último! Estava faminto, não tive tempo para comer ou comprar água, ensopado em suor e mais cansado que nunca! Desconfortavelmente dormitei na viagem de 3 horas entre São Paulo e Recife.

Chegado ao Recife, o relógio marcava umas 3  avançadas horas da manhã de um dia que já ia bem longo! Não fui de modas, levantei dinheiro, cujo levantamento me custou cerca de 5€ em comissões (chora agora) e apanhei um táxi que ficou pouco a cima dos 6€.

Chego ao hotel, que acabou o por ficar 3 vezes mais caro que eu esperava visto eu ter percebido que o preço das 3 noites, era na verdade, o preço da diária! 


Muito tarde e demasiado cansado para me chatear com o que quer que fosse!

Só precisava de um banho antes de me deitar na minha gigante nova cama...

zzzzz






Dias 40, 41, 42 e 43 - Arequipa - Muito trabalho e pouco passeio

 Dia 40 - Arequipa City Tour

Acordei cedo para trabalhar, almocei num cafezinho local onde terminei o trabalho antes de me encontrar com malta natural de Arequipa que conheci no tour na selva perto de Iquitos que se ofereceu para me mostrar a cidade. Não há melhor do que ver uma cidade pelas experiências locais!

Trabalho despachado! É hora de conhecer a segunda maior cidade do Peru, se bem que 10 vezes menor que Lima! Arequipa é  também conhecida como Cidade Branca devido a grande parte da sua construção original ter sido feita em silar, uma pedra vulcânica branca.

Praça de Yanahuara

Paroquia de Yanahuara

Belas ruas e recantos na parte antiga da cidade

Hotéis, cafés, e até Bancos como é o caso tomaram conta de edifícios antigos ajudando na sua preservação, visto que esta pedra esfarela muito e necessita de manutenção muito regular

Por fim e com a noite a cair, o tour terminou na invariável Plaza de Armas a frente desta bela catedral que não pude visitar visto estar de calções

Uma pequena nota final, que de certa forma é algo recorrente nas Plazas de Armas pele Peru fora, mas mais notório aqui em Arequipa: um ponto de encontro e convício de centenas se não milhares de pessoas que tentei esconder sem grande sucesso na foto a cima! Na escadaria da catedral, nos bancos e na relva do jardim, etc! Interessante componente social de rua, gostei!

Dia 41 - Arequipa e muito trabalho

Segundas-feiras são alegadamente o dia que acabo por ter de mais trabalho, e este dia não foi excepção! Muito trabalhinho e pouco passeia numa Arequipa de pedras brancas e céu escuro que teimava em esconder os seus vulcões! 

Não desanimei e dei mais uma volta pela cidade, onde provei um batido de lucuma, um fruto aparentemente parecido ao abacate mas com uma polpa mais amarelada, farinhenta e... deliciosa! O fruto parece que sabe a leite de creme! Foi uma experiência estranha e brutalmente agradável! Quiçá a melhor fruta para um batido que provei no Peru!



De notar a nabice do Gonçalinho, que após mês e meio a viajar pelo Peru, vi muitas vezes a referência a Lucuma, que pensei ser um abacate, então nunca pedi, porque... quem iria pedir um sumo de abacate, não é?

Fica a nota:
Abacate = Palta
Lucuma = Lucuma



Dia 42 - Arequipa e... Trabalho!

Mais um dia, mais um trabuco no qual aproveitei para avançar um pouco mais o trabalho dos dias seguintes na esperança de conseguir ir ao Canhão de Colca, um canhão cavado pelo rio de igual nome que se encontra a cerca de 160km de Arequipa e se estende por mais de 70km tendo profundidades de 2000m, sendo um dos maiores canhões do mundo!

Tinha planos de adiar o meu voo para o Brasil visto estar a gostar tanto do Peru e querer ver e fazer mais coisas (para além do Canhão de Colca), mas depois de muitos avanços e recuos, a mudança seria demasiado cara ao ponto do bilhete mais a mudança do voo de Lima para São Paulo custaria mais do que o bilhete de ida e VOLTA de Portugal! Tive que abandonar a mudança de planos e seguir com o plano original.

O Salvador Dali está de olho. Café Lautrec

Desanuviar e dar mais uma voltinha pela cidade, beber um cafezinho no agradável café e galeria de arte Lautrec e jantar uma bela pasta caseira com um ragu de borrego! Maravilha! Quem diria que a comida italiana era tão boa no Peru?

Depois da comida italiana, ainda tive direito a uma degustação de chocolates da marca Amazonas, uma marca de chocolates orgânicos, artesanais, sustentáveis, diferentes tipos de cacau, diferentes regiões, mas o sabor incrível era constante nos chocolates negros dos 70% aos 86% de cacau.


Dia 43 - Arequipa e... mais do mesmo...

Invariavelmente mais um dia de trabalho e avanços, mas sem esperanças de ir ao Canhão de Colca visto a opção de 1 dia ser muito corrida e cara, e sem adiamento do voo, a opção de dois dias não podia ser conciliada com o trabalho!

A net do meu apartamento estava muito má pelo que tive um incentivo para ver um pouco mais da cidade mais cedo enquanto buscava por um local agradável para beber um bom cafézinho e usar uma boa internet para acabar o trabalho.

Igreja de San Agustín

Encontrei o café Repúbica onde comi uma boa sandocha de frango e um belo cappuccino numa refeição entre o almoço e o lanche que me soube pela vida e foi o que precisei para acabar o trabalho do dia!

Mais uma breve voltinha, mas com a noite a cair as prioridades mudam e com os estimulos cada vez menores para os meus olhos, o meu estomago e as minhas papilas gustativas começavam a precisar de atenção!

O destino foi uma bela churrasqueira onde comi um belo bife ancho com osso (corte popular na argentina) cozinhado na perfeição, ganhando o galardão de uma das minhas melhores refeições no Peru, quase ao nível do bife de alpaca com quinoto de aji que comi no ultimo dia em Aguas Calientes. Parece que as refeições de despedida são sempre as melhores!

Amanhã é dia de en-malar e voar para Lima. Gostava de ficar mais tempo, mas a viagem continua! Venha de lá o Brasil!



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Dias 39 - Chegada a Arequipa

 Dia 39 - Chegada a Arequipa

A viagem durou cerca de 12 horas de autocarro, mas as condições eram decentes o suficiente para a sobrevivência humana, mas insuficientes para garantir uma boa noite de sono. Descansei, dormitei, mas não dormi de facto!


A primeira luz da manhã revelou um deserto árido e montanhoso com cavados rios rodeados de vegetação no fundo dos vales. Arequipa é a segunda maior cidade do Peru com menos de 10x a população de Lima e tem uma grande importância a nível económico devido à rica extração mineira que a rodeia. O que também rodeia o vale onde Arequipa se encontra são três vulcões que mal vi devido ao nevoeiro constante.

Cheguei de rastos e com trabalho em atraso, pelo que hoje foi dia de trabalho (que não acabei) e dormir cedo!

Dia 38 - Contra todas as probabilidades: Ilhas Ballestas

 Dia 38 - Ilhas Ballestas e viagem para Arequipa

Acordei tranquilo, sem grandes expectativas de conseguir visitar as Ilhas Ballestas, tomei o pequeno-almoço no hostel enquanto via as mensagens que os operadores de turismo me tinham enviado. Eram contraditórias: um dizia que o tour saia para as ilhas enquanto o outro negou! Decidi então ir à recepção do hostel tirar esta história a limpo! Depois de alguma espera, alguns telefonemas depois percebi que iria haver tour, e o último sairia de Paracas às 13.30! Estava a mais de 50km de distancia e tinha pouco mais de duas horas para ir de Huacachina a Ica, apanhar um autocarro para Pisco Cruce, arranjar maneira de ir para o centro de Pisco, para apanhar um táxi para Paracas! Ou isso ou pagar um táxi directo para Paracas que me custaria rim e meio! 

Decidi ir pelo caminho das pedras e tudo correu bem com algum stress pelo meio: Tuktuk de Huacachina para Ica, onde acabei por apanhar um colectivo que me levou a Pisco (e foi multado a meio do caminho por excesso de velocidade), onde cheguei larguei a mala, paguei o tour e rápidamente fui enfiado num táxi em direcção a Paracas, onde uma senhora estava à minha espera para me levar até ao último barco do dia (e dos próximos dias) para as Ilhas Ballestas.

Apanhei o barco, que levou cerca de uma hora até chegar à ilhas. Pelo caminho deparámo-nos com umas marcas na encosta desértica da península de Paracas, de origem desconhecida, dos tempos pré Incas. Candelabro.


A ilha transbordava de vida, e as aves marinhas aqui são rainhas

Os lobos e os leões marinhos também não ficam nada atrás! Vimos muitíssimos na praia, e muitas crias inclusivamente, mas devido à distância as fotos ficaram muito tristes!

Alforrecas às centenas em várias cores e feitios

As formações de pássaros eram constantes e em grandes números!

Volvido ao porto de Paracas, a fome apertava, e os restaurantes de peixe abundavam, mas os preços não eram os mais simpáticos, e a minha experiência no Peru é de que os restaurantes de primeira linha são normalmente caros e de qualidade duvidosa! Encontrei um ceviche incrível a preço acessível numa transversal!


De barriga e alma cheia era momento de me fazer à estrada! De Paracas apanhei um colectivo para Pisco, onde fui recolher a minha mala à agencia de viagens, apanhei um colectivo (que tardou a sair e tive que comprar mais um lugar para arrancar) até Pisco Cruce, onde apanhei um autocarro para Ica, onde cheguei quase em cima da hora! Todavia devido a acidentes, o autocarro atrasou quase duas horas até que pudesse embarcar ao meu destino final Peruano: Arequipa!



PS. De notar que estou a escrever com quase duas semanas de atraso e tenho muito a compensar, e muito a minha mente já não recorda! O que me recordo foi que neste dia que os portos abriram para a saída de embarcações em Pisco, também aconteceu a norte de Lima, onde uma onda maior do que o esperado fez tombar um petroleiro da Repsol e derramar quantidades brutais de cruda nas águas.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Dia 37 - Paracas, Ica e Huacachina

Dia 37 - Acção Milão!

Acordei cedito, deu para tomar o pequeno-almoço e escrever um pouco do blog antes de seguir viagem rumo a Paracas, uma reserva natural numa península desértica, habitat natural de várias espécies, desde pinguins, a leões marinhos, raposas, flamingos e milhentas aves!


O tour foi feito de carro, com um casal Peruano com um filho novo. Malta porreira. Parámos em vários miradouros, mas nunca podemos descer até às praias devido a restrições de Covid/Tsunami.


Vi alguma passarada, incluíndo flamingos e cormorans (corvos marinhos), uma ave que em voo mergulha a pique na água enquanto caça. Passámos também pela praia vermelha, uma praia, com entrada proibida, visto que a sua areia vermelha é rica em óxido de ferro que se acumula lá devia à erosão da encosta à sua frente, sendo a erosão um processo muito lento, a areia da praia não se iria repor a velocidade suficiente para manter aquela coloração com a simples afluência de pessoas à mesma.



Já vi muito disto, mas praia e deserto 2 em um é algo que ainda não me habituei!


Paramos então para um almocinho à beira mar antes de seguir viagem. Um peixinho grelhado com batata frita e arroz. Não estando mal, não foi nada de especial, e pior para um porto de pesca artesanal!



Hora de seguir viagem para Ica e arredores, para a próxima paragem da nossa viagem: a distilaria Nietto, nos arredores de Ica, onde tivemos direito a uma prova de vinhos, licores e aguardentes, por outras palavras, o aquecimento para o que estava para vir!


A experiencia foi simples, agradável e divertida com breves explicações entre as bebidas mas a um paço algo acelerado de maneira a que a actividade poderia durar um pouco mais tempo. De notar que numa zona desértica, com rio e rodeada de vinha, enquanto bebíamos, os mosquitos comiam-nos! Interessante o mosto ser fermentado e (ligeiramente) envelhecido, tradicionalmente em jarras cerâmicas, ao invés das barricas de carvalho que conhecemos em Portugal.

Próxima paragem: uma palmeira com sete copas. Alegadamente um fenómeno que apensas é conhecido em dois pontos: Peru e Egipto, onde uma palmeira entra e sai da terra tendo várias copas e troncos que serpenteiam pelo chão, trazendo a alcunha de  Serpente de Sete Cabeças.



Antes de seguirmos até ao deserto ainda tivemos direito a uma paragem no jardim das bruxas, um jardim com várias estátuas de bruxas, muitas lojas e bancas de bruxaria e artes ocultas. Um local algo bizarro e altamente turístico, onde alegadamente em tempos as bruxas se reunião e escondiam quando estas tinham a cabeça a prémio.


Chegando a Huacachina, um pequeno oásis, originalmente natural, mas que nos dias de hoje requer que a sua água seja reposta para não secar, fiquei impressionado com a grandeza daquelas dunas, e talvez ainda mais com a sua extensão, não ficando em nada atrás da zona de Merzouga do Deserto do Sahara que visitei.

Fomos então dar uma volta de buggy pelas dunas, que acabou por ser realmente divertida e emocionante, como se de uma espécie de montanha russa no deserto se tratasse! O pisco que o pessoal bebeu manteve-se dentro de todos os estômagos! Ou seja... missão cumprida! Atividade deveras divertida e que recomendo a todos!



Seguiu-se então uma breve sessão de sand-boarding, o primo do snowboarding, mas na areia, que acaba por deslizar substancialmente menos, e afundar mais, pelo que apesar de divertidita... esperava bastante mais!



Por fim esperámos que o sol se pusesse por detrás das dunas mais longínquas! Grande por do sol!

Voltámos então para Huacachina, onde os meus companheiros de viagem seguiram, e eu fiquei por lá em busca de alojamento! Encontrei um hostel muito porreiro, onde prontamente me banhei para refrescar os escaldões com que fiquei após um dia em aventuras ao ar livre! Curioso como o sol me queimou mesmo através da minha tshirt! Novidade para mim!

Jantei pelo hostel e aproveitei a noite para por o blog em dia e preparar o dia seguinte, na esperança de poder visitar as ilhas que tanto queria!